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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O primo Basílio - 2A

sábado, 16 de outubro de 2010

2ªA Mat - Memórias Póstumas



O crime da padre Amaro

A cartomante / 2ºA matutino

Apesar de todas as dificuldades que tivemos para gravar esse vídeo, devido ao feriado prolongado, acho que conseguimos fazer um bom trabalho. Levamos a história para a parte do humor, e fizemos uma coisa bem resumida para não ficar muito grande e cansativo.
Espero que gostem (:

O Cortiço- 2º ano A matutino

Espero que gostem foi muito divertido realizar esse trabalho!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

2° A Matutino: A Cartomante - Machado de Assis

Roteiro
A Cartomante - Machado de Assis

O reencontro dos amigos de infância.
Cena 1
Vilela apresenta Rita á Camilo.

Cena 2
Vilela, Rita e Camilo jogam baralho na sala do casal.

Eis que o amor e a traição se colocam em seus caminhos
.
Cena 3
Rita e Camilo passeiam no jardim.

Cena 4
Camilo fica assustado ao receber uma carta.

Cena 5
Vilela comenta com Rita que Camilo não foi mais visitá-los.

Cena 6
Rita entra numa casa, disfarçadamente.

Cena 6
Rita e a cartomante conversam.

Cena 8
Rita conta a Camilo da visita á cartomante enquanto passeiam. Eles passam em frente a casa da cartomante e Rita lhe mostra a Fachada.

Mas o segredo foi descoberto.
Cena 9

Camilo recebe um bilhete de Vilela o convidando-lhe para ir á sua casa.

Cena 10 (Desespero)
Camilo caminha desesperado pelas ruas. Ele vê a casa da cartomante.

Culpa

Cena 11
Camilo senta-se diante da cartomante.

Agonia

cena 12
Camilo e a cartomante conversam.

Cena 13 (Alívio)
A cartomante tranqüiliza Camilo. Ele despede-se dela.

Cena 14 (Por pouco tempo)
Camilo chega á casa de Vilela.

Cena 15
Camilo vê Rita morta.

Cena 16
Vilela mata Camilo.



2º A Matutino - Memórias Póstumas

Roteiro

Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

Personagens

Brás Cubas

Pai de Brás Cubas

Marcela

Amiga da Família

Eugênia

Lobo Neves

Virgília

Empregada de Virgília

Quincas Borba

O objetivo deste vídeo é resumir, de forma divertida, o livro que foi o marco do Realismo na literatura brasileira, umas das obras mais importantes de Machado de Assis.

Cenas

· Cena 1:

Brás está deitado, depois se levanta, a câmera o segue, ele senta em uma mesa e começa a escrever. Em determinado momento olha fixamente para a câmera e diz:

-Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, dedico com saudosa lembrança, estas memórias póstumas.

Fade out.

· Cena 2:

Brás está deitado, imóvel em uma cama, várias pessoas em sua volta, todas tristes, algumas chorando. Uma pessoa põe as mãos em cima das deles e diz melancólicamente:

-Morto!

-Quantos anos ele tinha?

-Sessenta e quatro anos era solteiro e tinha muito dinheiro.

· Cena 3:

Brás está sentado atrás de uma mesa lendo e pesquisando, imerso em seus pensamentos.

EM OFF

Brás: -Morri em uma sexta feira de agosto de 1869. Dizem que morre de uma pneumonia, mas acho que morri de uma idéia grandiosa: a invenção do Emplasto Brás Cubas.

O emplasto se tornou idéia fixa que oprimiu meu cérebro de tal forma que um dia resolvi arejar as idéias e abri a janela, mas em vez de uma brisa bateu um vento encanado e foi assim que peguei a tal pneumonia.

Brás tosse muito.

· Cena 4:

EM OFF

Brás: -Lembro como se fosse hoje, ela entrando pela porta, pálida, vestida de preto. Quem dirá que dois grandes namorados, duas paixões inesquecíveis se acabariam desse jeito. Nada mais existia entre nós ali, vinte anos depois, e lá está ela meu grande pecado da juventude.

Como não existe juventude sem infância e infância lembra nascimento...

· Cena 5:

EM OFF

Brás: ... chegamos ao dia vinte de outubro de 1805, data a qual nasci.

Desde os cinco anos mereci o apelido de menino diabo e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquina e voluntarioso.

· Cena 6:

EM OFF

Brás: -Com um tempo e já rapaz, escolhi minha princesa.

Brás anda de encontro à Marcela com uma caixa em mãos.

Brás: -Trouxe um presente para você, gostou?

Ela abre a caixa e olha o colar que está dentro dela.

Marcela: -Bonito, mas não é tão bonito quanto o que eu vi outro dia.

Brás: -Onde?

Marcela: -Na Brandão Jóias, era um colar de ouro com cinco rubis e os brincos combinando. Mas mesmo que você me comprasse não aceitaria. – Marcela se aproxima de Brás e diz: -Porque você é diferente, eu gosto de você.

EM OFF

Brás: -Marcela me amou por quinze meses e onze contos de reis.

· Cena 7:

Brás está sentando enquanto seu pai, de pé, lhe dá uma bronca.

Pai de Brás: -Você é louco? Gastou cinqüenta mil reais com uma só mulher. Vou por um fim nisso. Você vai para Lisboa pra ver se toma jeito.

· Cena 8:

Brás vai encenando tudo que diz a narração

EM OFF

Brás: No primeiro dia pensei em me matar. No segundo dia em virar padre. No terceiro me embebedei até cair. No quarto pensei em escrever uma carta para marcela. No quinto comecei a pensar na Europa. No sexto comecei a sonhar com as noites em Lisboa.

Em seis dias Deus fez o mundo e eu esqueci Marcela.

· Cena 9:

Brás está sentado a ler uma carta.

EM OFF

Brás: Quando ainda estava na Europa, alguns anos depois de formado recebi uma carta de meu pai informando que minha mãe estava muito doente e que eu precisava voltar logo ou a encontraria morta. Essa ultima frase foi um golpe pra mim resolvi então trocar as mulheres por minha mãe, e a Europa por minha casa.

· Cena 10:

Brás encontra com seu pai que diz: - Tua mãe morreu!

EM OFF

Brás:- Esta foi a primeira vez que senti a tristeza de perder alguém assim tão importante.

Brás: - Pai estou inconformado com a morte da minha mãe vou pra nossa casa.

· Cena 11:

Brás encontra com uma velha amiga da família.

Amiga da Família- Brás?Quanto tempo? Já está um homem feito quem diria! Conta-me um pouco sobre a sua viagem, e os namoros? Ah, deixa eu te apresentar minha filha Eugênia.

Brás- Uau! Mais ela já é uma moça feita, quantos anos ela tem? 15?

Amiga da família- 15 mais um.

Brás: -Vamos dar uma volta e eu lhe contarei tudo sobre a minha viagem.

Saem andando ele e Eugênia.

Brás- Machucou o seu pé?

Eugênia- Não, eu sou assim mesmo.

· Cena 12:

Eugênia está na sala, sozinha, então Brás chega com flores nas mãos.

EM OFF

Brás: Eu sei que existe algumas maneiras de conseguir um beijo: primeiro sempre leve flores, segundo: toque levemente seu braço, então chegue perto e dê um beijo.

Brás: Vou me candidatar a deputado e conhecer a minha futura esposa que meu pai arranjou.

Eugênia: Faz bem em não se casar comigo.

EM OFF

Brás: ate pensei em me casar com ela, mas uma terrível dúvida não me deixou fazê-lo, porque coxa se bonita, porque bonita se coxa, porque coxa se bonita, porque bonita se coxa...

· Cena 13:

Sala onde o pai de Brás apresenta a noiva ao seu filho

Pai de Brás: Essa é Virgilia Brás.

EM OFF

Brás: Virginia era a moça mais linda da região. Pensava que minha história com Virgínia ia bem, ate ela conhecer Lobo Neves que além de roubar minha candidatura encantou minha mulher. Como não a amava ainda aquela cena nem sequer me causou ciúmes. Mais meu pai não suportou ficou doente e logo morreu.

· Cena 14:

Brás está sentado na sua mesa sozinho e pensativo.

EM OFF

Brás: Com pouco tempo me sentindo solitário escrevi sobre política e fiz grandes ensaios.

· Cena 15:

Brás entra e vê pessoas sentadas em uma mesa jogando baralho. Ele repara em uma moça que está sentada.

Brás: Mas que bela mulher. Nossa! É Virgília.

Brás cumprimenta seu amigo Lobo Neves que está sentado à mesa.

Virgília: Querido, vamos dançar. – Diz Virgília a Lobo Neves.

Lobo Neves, sem nem olhar para o rosto de Virgília: Agora não, não vê que estou jogando.

Após isso ele se dirige a Brás e diz: Brás, meu amigo, você não poderia dançar com Virgília?

Brás: Claro, seria um prazer.

E sai levando Virginia e começam a dançar.

· Cena 16:

Brás bate na porta da casa de Virgília.

EM OFF

Brás: Ao começar a frequentar a casa de Virgília logo me tornei amigo da família, o nosso amor era a troca de sorrisos e olhares. E esse amor cresceu tanto que cheguei a querer abandonar tudo por aquela mulher.

Brás: Virgília aceita fugir comigo? Tenho dinheiro pra morarmos em qualquer lugar do mundo.

Virgília: mais meu marido me mataria.

Brás: Então temos que achar um jeito de nos encontrarmos.

· Cena 17:

Brás está em uma praça distraído quando é interrompido por um sujeito mal apessoado, sujo e vestindo trapos.

EM OFF

Brás: Tudo ia bem até aquele dia, pensei em ate fazer algo da vida como virar ministro.

Quincas Borba: Brás Cubas! Deve se lembrar de mim, Quincas Borba. Até um tempo atrás estava bem, você deve se lembrar, mas, como sabe a vida da muitas voltas, e hoje eu estou aqui sem nada. Eu agradeceria muito se tivesse algo para me ajudar.

Brás responde meio desinteressado, querendo sair logo daquele lugar: Passe na minha casa, talvez possa lhe arrumar algum trabalho.

Quincas Borba: Estou com fome, eu preciso de dinheiro.

Brás: Eu posso te dar, mas você vai ter que...

Quincas o interrompe arrancando o dinheiro de sua mão e depois disso diz: Obrigado.

· Cena 18:

Brás está sentado conversando com o Lobo Neves.

Lobo Neves: Eu fui chamado para ser governador de outro estado, e espero que você possa ser meu assessor.

Brás: Seria uma honra.

EM OFF

Brás: Aquele pedido de Lobo Neves foi o salvador do meu indecoroso amor com Virgília.

· Cena 19:

EM OFF

Brás: Existia uma empregada e protetora de Virgília que nos ajudava em nossa infidelidade. Um dia quando estávamos os dois namorar ela nos interrompeu e disse:

Empregada de Virgília: Rápido seu Brás, se esconda, o Lobo Neves está vindo para cá?

Eu me escondi e logo o Lobo Neves apareceu.

Virgília: Oi querido, o que faz aqui?

Lobo Neves: Estava passando por aqui e vi a senhora na frente e resolvi visitá-la.

· Cena 20:

EM OFF: Certo dia recebei uma carta do meu infortunado amigo Quincas Borba:

“Caro Brás, se pode se lembrar, da última vez que nos encontramos disse-lhe que o mundo dá muitas voltas, venho com esta carta confirmar o que lhe disse. Não sou mais aquele mendigo, me tornei rico pela herança de um tio hoje virei te visitar e te contarei tudo.

Quincas Borba bate na porta e é recebido por Brás. Agora bem vestido e limpo.

Quincas Borba: Como pode ver, não sou mais aquele homem destruído que te tomou um mísero real para matar a fome. Mas a mudança que ocorreu em mim não é apenas a que você pode ver também me tornei um novo homem por dentro e devo tudo isso a minha filosofia: ao vencedor as batatas.

· Cena 21

Brás está andando, pensativo.

EM OFF

Brás: Chegou um momento em minha vida em que resolvi fazer alguma coisa dela. Eu já estava com sessenta anos, e Virgília cada vez mais velha e mais linda. Resolvi que iria ser deputada. Mas não durou muito.

Logo soube da morte do Lobo Neves, e confesso que fiquei um pouco feliz com essa notícia.

Cena 22:

Cena idêntica a cena três.

EM OFF

Brás: Entre a morte de Quincas e a minha o fato mais importante foi à invenção do Emplasto Brás Cubas, um remédio que buscava diminuir a dor e a melancolia da humanidade.

· Cena 23:

Cena idêntica a cena 2.

EM OFF

Brás: Se não tive sucesso em meu remédio, não me tornai ministro, não conheci o casamento e assumo que nunca consegui dinheiro com o suor do meu rosto, no fim das contas, digo que tive um saldo positivo com a vida: não tive filhos, não transmite aos meus a triste realidade da existência humana.

Obs: EM OFF: Narração feita fora da cena. Usamos esse termo no roteiro para não confudir o leitor já que as narrações são feitas pelo personagem principal.

O Primo Basílio 2ºA Maturino

O Primo Basílio é um romance de Eça de Queirós. Publicado em 1878, constitui uma análise da família burguesa urbana no século XIX.
O autor, que já criticara a província em O Crime do Padre Amaro, volta-se agora para a cidade, a fim de sondar e analisar as mesmas mazelas, desta vez na capital: para tanto, enfoca um lar burguês aparentemente feliz e perfeito, mas com bases falsas e igualmente podres. A criação dessas personagens denuncia e acentua o compromisso de O Primo Basílio com o seu tempo: a obra deve funcionar como arma de combate social. A burguesia - principal consumidora dos romances nessa época - deveria ver-se no romance e nele encontrar seus defeitos analisados objetivamente, para, assim, poder alterar seu comportamento.

As personagens de O Primo Basílio podem ser consideradas o protótipo da futilidade, da ociosidade daquela sociedade
Personagens:

* Luísa: Representa a jovem romântica, inconsequente nas suas atitudes, a adúltera e, no final, arrependida.
* Jorge: Marido dedicado de Luísa, homem prático e simples, que contrasta com a personalidade mundana e sedutora de Basílio.
* Basílio: Dândi, conquistador e irresponsável, "bon vivant" pedante e cínico. Como todo dândi, Basílio procurava imitar um estilo de vida aristocrático, decadente.Tinha uma preocupação latente em estar bem vestido e arrumado.
* Juliana: Personagem mais completa e acabada da obra, tem sido vista como o símbolo da amargura e do tédio em relação à profissão. Feia, virgem, solteirona, bastarda, é inconformada com sua situação e por isso odeia a tudo e a todos, principalmente seus patrões, não detendo então qualquer sentimento de fundo moral.
* Sebastião: Personagem simpático que permanece fiel a Jorge e ao mesmo tempo ajuda Luísa. Sebastião é o único que não apresenta nenhuma crítica à socialidade lisboeta.
* Julião: Parente distante de Jorge e amigo íntimo da casa, Julião Zuarte,assim como Juliana, representa o descontentamento e o tédio com a profissão. Estudava desesperadamente medicina, na esperança de conseguir uma clientela rica. Andando sempre sujo e desarrumado, Julião era invejoso e azedo.
* Visconde Reinaldo: Amigo de Basílio, era, como este, um dândi. Desprezava Portugal. Reinaldo representa o pensamento aristocrático, o desprezo pelos valores burgueses, como a família e a virtude.
* Dona Felicidade: Amiga de Luísa, cinquentona. Apaixonada perdidamente pelo Conselheiro Acácio. Simbolizava, nas palavras do próprio Eça: "a beatice parva de temperamento excitado".
* Conselheiro Acácio: Antigo amigo do pai de Jorge, Acácio é o arquétipo do sujeito que só diz obviedades. Pudico, formal em qualquer atitude, rejeita friamente as investidas de Dona Felicidade. Diz a todos que "as neves da fronte acabam por cair no coração". No entanto, vive um romance secreto com sua criada.
* Senhor Paula: Vizinho de Jorge. Junto com a carvoeira e a estanqueira, passa o dia bisbilhotando quem entra e quem sai da casa do "engenheiro". O surgimento de Basílio acaba virando um espetáculo para eles.
* Leopoldina: Amiga de Luísa, casada e adúltera. Sempre em busca de novos prazeres e assim amantes, tem uma má reputação, e é uma possível influência para o comportamento de Luísa.

Roteiro:

Por cima do sofá pendia o retrato da mãe de Jorge, a óleo. Estava sentada, vestida ricamente de preto, direita no seu corpete espartilhado e seco: uma das mãos, de um lívido morto, pousava nos joelhos sobrecarregada de anéis; a outra perdia-se entre as rendas muito trabalhadas de um mantelete de cetim; e aquela figura longa, macilenta, com grandes olhos carregados de negro, destacava sobre uma cortina escarlate, corrida em pregas copiosamente quebradas, deixando ver para além céus azulados e redondezas de arvoredos.
- E teu marido? - perguntou Luísa, vindo sentar-se muito junto de Leopoldina.
- Como sempre. Pouco divertido - respondeu, rindo. E, com um ar sério, a testa um pouco franzida: - Sabes que acabei com o Mendonça?
Luísa fez-se ligeiramente vermelha.
- Sim?
Leopoldina deu logo detalhes.
Era muito indiscreta, falava muito de si, das suas sensações, da sua alcova, das suas contas. Nunca tivera segredos para Luísa; e na sua necessidade de fazer confidências, de gozar a admiração dela, descrevia-lhe os seus amantes, as opiniões deles, as maneiras de amar, os tiques, a roupa, com grandes exagerações! Aquilo era sempre muito picante, cochichado ao canto de um sofá, entre risinhos; Luísa costumava escutar, toda interessada, as maçãs do rosto um pouco envergonhadas, pasmada, saboreando, com um arzinho beato. Achava tão curioso!
- Desta vez é que bem posso dizer que me enganei, minha rica filha! - exclamou Leopoldina erguendo os olhos desoladamente.
Luísa riu.
- Tu enganas-te quase sempre!
Era verdade! Era infeliz!
- Que queres tu? De cada vez imagino que é uma paixão, e de cada vez me sai uma maçada!
E picando o tapete com a ponta da sombrinha:
- Mas se um dia acerto!
- Vê se acertas - disse Luísa. - Já é tempo!
Às vezes na sua consciência achava Leopoldina "indecente"; mas tinha um fraco por ela: sempre admirara muito a beleza do seu corpo, que quase lhe inspirava uma atração física. Depois desculpava-a: era tão infeliz com o marido! Ia atrás da paixão, coitada! E aquela grande palavra, faiscante e misteriosa, de onde a felicidade escorre como a água de uma taça muito cheia, satisfazia Luísa como uma justificação suficiente: quase lhe parecia uma heroína; e olhava-a com espanto como se consideram os que chegam de alguma viagem maravilhosa e difícil, de episódios excitantes. Só não gostava de certo cheiro de tabaco misturado de feno, que trazia sempre nos vestidos. Leopoldina fumava.
- E que fez ele, o Mendonça?
Leopoldina encolheu os ombros, com um grande tédio:
- Escreveu-me uma carta muito tola, que afinal bem considerado era melhor que acabasse tudo, porque não estava para se meter em camisa de onze varas! Que imbecil! Até devo ter aqui a carta.
Procurou na algibeira do vestido: tirou o lenço, uma carteirinha, chaves, uma caixinha de pó-de-arroz; mas encontrou apenas um programa do Price.
Falou então do circo. - Uma sensaboria. O melhor era um rapaz que trabalhava no trapézio. Lindo rapaz, bem feito, uma perfeição!
E de repente:
- Então teu primo Basílio chega?
- Assim li hoje no Diário de Noticias. Fiquei pasmada!
- Ah! Outra coisa que te queria perguntar antes que me esqueça. Com que guarneceste tu aquele teu vestido de xadrezinho azul? Vou mandar fazer um assim.
Tinha-o guarnecido de azul também, um azul mais escuro.
- Vem ver. Vem cá dentro.
Entraram no quarto. Luísa foi descerrar a janela, abrir o guarda-vestidos. Era um quarto pequeno, muito fresco, com cretones de um azul pálido. Tinha um tapete barato, de fundo branco, com desenhos azulados. O toucador, alto, estava entre as duas janelas, sob um dossel de renda grossa, muito ornado de frascos facetados. Entre as bambinelas, em mesas redondas de pé de galo, plantas espessas, begônias, macomas, dobravam decorativamente a sua folhagem rica e forte, em vasos de barro vermelho vidrado.
Aqueles arranjos confortáveis lembraram decerto a Leopoldina felicidades tranqüilas. Pôs-se a dizer devagar, olhando em roda:
- E tu, sempre muito apaixonada por teu marido, hem? Fazes bem, filha, tu é que fazes bem!
Foi defronte do toucador aplicar pó-de-arroz no pescoço, nas faces:
- Tu é que fazes bem! - repetia. - Mas vá lá uma mulher prender-se a um homem como o meu!
Sentou-se na causeuse com um ar muito abandonado; vieram as queixas habituais sobre seu marido: era tão grosseiro! Era tão egoísta!
- Acreditarás que há tempos para cá, se não estou em casa ás quatro horas, não espera, põe-se à mesa, janta, deixa-me os restos! E depois desleixado, enxovalhado, sempre a cuspir nas esteiras... O quarto dele - nós temos dois quartos, como tu sabes - é um chiqueiro!
Luísa disse com severidade:
- Que horror! A culpa também é tua.
- Minha! - e endireitou-se, luziam-lhe os olhos, mais largos, mais negros.
- Não me faltava mais nada senão ocupar-me do quarto do homem!
Ah! Era muito desgraçada, era a mulher mais desgraçada que havia no mundo!
- Nem ciúmes tem, o bruto!
Mas Juliana entrou, tossiu, e arranjando ainda o colar e o broche:
- A senhora sempre quer que engome os coletes todos?
- Todos, já lhe disse. Hão de ficar à noite na mala antes de se ir deitar.
- Que mala? Quem parte? - perguntou Leopoldina.
- O Jorge. Vai às minas, ao Alentejo.
- Então estás só, posso vir ver-te! Ainda bem!
E sentou-se logo ao pé dela, com um olhar que se fizera doce.
- É que tenho tanto que contar! Se tu soubesses, filha!
- O quê? Outra paixão? - fez Luísa rindo.
A face de Leopoldina tornou-se grave.
Não era para rir. Estava de todo! Era por isso até que tinha vindo. Sentira-se tão só em casa, tão nervosa! - Vou até Luísa, vou palrar um bocado!
E com a Voz mais baixa, quase solene:
- Desta vez é sério, Luísa! - Deu os detalhes. Era um rapaz alto, louro, lindo! E que talento! E poeta! - Dizia a palavra com devoção, prolongando o som das sílabas. - E poeta!
Desapertou devagar dois botões do corpete, tirou do seio um papel dobrado. Eram versos.
E muito chegada para Luísa, com as narinas dilatadas pela delícia da sensação, leu baixo, com orgulho, com pompa:
- "A ti
Farol da Guia, 5 de junho
Quando cismo à hora do poente
Sobre os rochedos onde brame o mar..."
Era uma elegia. O rapaz contava, em quadras, as longas contemplações em que a via a ela, Leopoldina, "visão radiosa que deslizas leve", nas águas dormentes, nas vermelhidões do ocaso, na brancura das espumas. Era uma composição delambida, de um sentimentalismo reles, com um ar tísico, muito lisboeta, cheia de versos errados. E, terminando, dizia-lhe que não era "nos esplendores das salas" ou nos "bailes febricitantes" que gostava de a ver; era ali, naqueles rochedos,
Onde todos os dias ao sol posto
Eu vejo adormecer o mar gigante.
- Que bonito, hem!
Ficaram caladas, com uma comoçãozinha.
Leopoldina, com os olhos perturbados, repetia a data, amorosamente:
- Farol da Guia, 5 de junho!
Mas o relógio do quarto deu quatro horas. Leopoldina ergueu-se logo, atarantada, meteu o poema no seio.
Tinha de se ir já! Fazia-se tarde, senão o outro punha-se a mesa. Tinha um ruivo assado para o jantar. E peixe frio era a coisa mais estúpida!
Adeus. Até breve, não? - E agora que Jorge ia para fora, havia de vir muito.- Adeus. Então a francesa, Rua do Ouro, por cima do estanque?
Luísa foi com ela até ao patamar. Leopoldina já no fundo da escada ainda parou gritou:
- Sempre te parece que guarneça o vestido de azul, hem?
Luísa debruçou-se sobre o corrimão:
- Eu assim fiz, é o melhor...
- Adeus! Rua do Ouro, por cima do estanque?
- Sim. Rua do Ouro. Adeus. - E com um gritinho: - Porta à direita. Madame François.
Jorge voltou às cinco horas, e logo da porta do quarto, pondo a bengala a um canto:
- Já sei que tiveste cá uma visita.
Luísa voltou-se, um pouco corada. Estava diante do toucador já penteada, com um vestido de linho branco, guarnecido de rendas
Era verdade, tinha vindo a Leopoldina. Juliana mandara-a entrar... Ficara mais contrariada! Era por causa da adresse da francesa dos chapéus. Tinha-se demorado dez minutos. - Quem te disse?
- Foi a Juliana; que a senhora D. Leopoldina tinha estado toda a tarde.
- Toda a tarde! Que tolice! Esteve dez minutos, se tanto!
Jorge tirava as luvas, calado. Chegou-se à janela, pôs-se a sacudir as duras folhas de uma begônia malhada de um vermelho doente, com uma baba prateada. Assobiava baixo; e parecia todo ocupado em conchegar um botão de Amarílis aninhado entre a sua folhagem luzidia, como um pequenino coração assustado.
Luísa ia passando o seu medalhão de ouro numa longa fita de veludo preto, tinha uma tremura nas mãos, estava vermelha.
- O calor tem-lhes feito mal... - disse.
Jorge não respondeu. Assobiou mais alto, foi à outra janela, bateu com os dedos nas folhas elásticas de uma macoma de tons verdes e sangüíneos, e, alargando impacientemente o colarinho como um homem sufocado:
- Ouve lá, é necessário que deixes por uma vez de receber essa criatura. É necessário acabar por uma vez!
Luísa fez-se escarlate.
- É por causa de ti! É por causa dos vizinhos! É por causa da decência!
- Mas foi a Juliana... - balbuciou Luísa.
- Mandasse-a sair outra vez. Que estavas fora! Que estavas na China! Que estavas doente!
Parou, com um tom desconsolado, abrindo os braços:
- Minha rica filha, é que todo o mundo a conhece. É a Quebrais! É a Pão e Queijo! É uma vergonha!
Citava-lhe os seus amantes, exasperado: o Carlos Viegas, o magro, de bigode caído, que escrevia comédias para o Ginásio! O Santos Madeira, o picado das bexigas, com uma gaforinha! O Melchior Vadio, um jingão desossado, com um olhar de carneiro morto, sempre a fumar numa enorme boquilha! O Pedro Câmara, o bonito! O Mendonça dos calos! Tutti quanti!
E encolhendo os ombros, exasperado:
- Como se eu não percebesse que ela esteve aqui! Só pelo cheiro! Este horrível cheiro de feno! Vocês foram criadas juntas, etc.; tudo isso é muito bom. Hás de desculpar, mas se a encontro na escada, corro-a! Corro-a!
Parou um momento, e comovido:
- Ora, vamos, Luísa, confessa. Tenho ou não razão?
Luísa punha os brincos, ao espelho, atarantada:
- Tens - disse.
- Ah! Bem!
E saiu, furioso.
Luísa ficou imóvel. Uma lagrimazinha redonda, clara, rolava-lhe pela asa do nariz Assoou-se muito doloridamente. Aquela Juliana! Aquela bisbilhoteira! De má! Para fazer cizânia!
Veio-lhe então uma cólera. Foi ao quarto dos engomados, atirou com a porta:
- Para que foi você dizer quem esteve ou quem deixou de estar?
Juliana, muito surpreendida, pousou o ferro:
- Pensei que não era segredo, minha senhora.
- Está claro que não! Tola! Quem lhe diz que era segredo? E para que mandou entrar? Não lhe tenho dito muitas vezes que não recebo a senhora D. Leopoldina?
- A senhora nunca me disse nada - replicou, toda ofendida, cheia de verdade.
- Mente! Cale-se!
Voltou-lhe as costas; veio para o quarto, muito nervosa, foi encostar-se à vidraça.
O sol desaparecera; na rua estreita havia uma sombra igual, de tarde sem vento; pelas casas, de uma edificação velha, escuras estavam abertas as varandas onde em vasos vermelhos se mirrava alguma velha planta miserável, manjericão ou cravo; ouvia-se, no teclado melancólico de um piano, a Oração de uma virgem, tocada por alguma menina, no sentimentalismo vadio do domingo; e na sua janela, defronte, as quatro filhas do Teixeira Azevedo, magrinhas, com os cabelos muito riçados, as olheiras pisadas, passavam a sua tarde de dia santo, olhando para a rua, para o ar, para as janelas vizinhas, cochichando se viam passar um homem - ou debruçadas, com uma atenção idiota, faziam pingar saliva sobre as pedras da calçada.
Jorge tinha razão, coitado! pensava Luísa. Mas, também, que podia ela fazer? Já não ia à casa de Leopoldina, tirara o seu retrato do álbum da sala, vira-se obrigada a confessar-lhe a repugnância de Jorge, tinham chorado ambas, até! Coitada! Só a recebia de longe a longe, uma raridade, um momento! E enfim, depois de ela estar na sala, não a havia de ir empurrar pela escada abaixo!
Um homem grosso, de pernas tortas, curvado sob um realejo, apareceu então ao alto da rua; as suas barbas pretas tinham um aspecto feroz; parou, pôs-se a voltear a manivela, levantando em redor, para as janelas, um sorriso triste de dentes brancos e a "Casta Diva", com uma sonoridade metálica e seca, muito tremida espalhou-se pela rua.
Gertrudes, a criada e a concubina do doutor de Matemática, veio encostar logo aos caixilhos estreitos da janela a sua vasta face trigueira de quarentona farta e estabelecida; adiante, na sacada aberta de um segundo andar, debruçou-se a figura do Cunha Rosado, magro e chupado, com um boné de borla, o aspecto desconsolado do doente de intestinos, conchegando com as mãos transparentes o robe de chambre ao ventre. Outras faces enfastiadas mostraram-se entre as bambinelas de cassa.
Na rua, a estanqueira chegou-se à porta, vestida de luto, estendendo o seu carão viúvo, os braços cruzados sobre o xale tingido de preto, esguia nas longas saias escoadas. Da loja, por baixo da Casa Azevedo, veio a carvoeira, enorme de gravidez bestial, o cabelo esguedelhado em repas secas, a cara oleosa e enfarruscada, com três pequenos meio nus, quase negros, chorões e hirsutos, que se lhe penduravam da saia de chita. E o Paula, com loja de trastes velhos, adiantou-se até ao meio da rua; a pala de verniz do seu boné de pano preto nunca se erguia de cima dos olhos; escondia sempre as mãos, como para ser mais reservado, por trás das costas, debaixo das abas do seu casaco de cotim branco; o calcanhar sujo da meia saía-lhe para fora da chinela bordada a miçanga; e fazia roncar o seu pigarro crônico de um modo despeitado. Detestava os reis e os padres. O estado das coisas públicas enfurecia-o. Assobiava freqüentemente a Maria da Fonte, e mostrava-se nas suas palavras, nas suas atitudes, um patriota exasperado.
O homem do realejo tirou o seu largo chapéu desabado e, tocando sempre, ia-o estendendo em redor para as janelas, com um olhar necessitado. As Azevedo tinham logo fechado violentamente a vidraça. A carvoeira deu-lhe uma moeda de cobre; mas interrogou-o: quis decerto saber de que país era, por que estradas tinha vindo, e quantas peças tinha o instrumento.
Gente endomingada começava a recolher, com um ar derreado do longo passeio, as botas empoeiradas; mulheres de xale, vindas das hortas, traziam ao colo as crianças adormecidas da caminhada e do calor; velhos plácidos, de calça branca, o chapéu na mão, gozavam a frescura, dando um giro no bairro: pelas janelas, bocejava-se; o céu tomava uma cor azulada e polida, como uma porcelana; um sino repicava a distância o fim de alguma festa de igreja; e o domingo terminava, com uma serenidade cansada e triste.
- Luísa - disse a voz de Jorge.
Ela voltou-se com um vago - "bem"?
- Vamos jantar, filha, são sete horas.
No meio do quarto tomou-a pela cinta e falando-lhe baixo junto à face:
- Tu zangaste-te há bocado?
- Não! Tu tens razão. Conheço que tens razão.
- Ah! - fez ele com um tom vitorioso, muito satisfeito. - Está claro,
Quem melhor conselheiro e bom amigo
Que o marido que a alma m'escolheu?
E com uma ternura grave:
- Minha querida filha, esta nossa casinha é tão honesta que é uma dor de alma ver entrar essa mulher aqui, com o cheiro de feno, do cigarro e do resto!... Ma, di questo non parleremo più, o donna mia! À sopa!

Dom -2°A matutino

A história abordada aqui colocará em foco o contexto e a narração de um romance de infância marcado por cenas de ciúmes, promovidas pelo principal personagem Bento, apelidado como Dom. Bento, nome posto por seus pais, grandes admiradores de Machado de Assis.
Por tantas vezes explicar o motivo do seu nome ele meio que se destina a viver a história do personagem da obra machadiana que lhe deu o nome, chegando até a apelidar sua amiga de infância Ana de Capitu.
Esta história é marcada pelo amor de infância entre Bento e Ana. Bento que mais tarde recebe uma bolsa e é obrigado
a mudar-se de cidade deixando Ana desamparada e triste. Mais tarde volta e por destino reencontra Ana, moça formada em teatro e bailarina. Reaproximam-se e começam a viver juntos. Mas esse casamento acaba sendo marcado pelo ciúme incontido de Bento que suspeita que sua esposa esteja tendo um caso com seu melhor amigo Miguel, que conheceu em seus tempos de Faculdade.
O vídeo será composto de seis cenas principais, entre essas cenas há cenas intermediárias.
A proposta do vídeo é atualizar esse filme (a história) e transpor esse conflito que está tão presente nos dias atuais.

Cena 1:
Um casal (pais de bento) está na sala de estar. A mulher (mãe de Bento) segura um recém nascido (Bento) e estes decidem o nome que irão colocar no seu filho. Escolhem homenagear ao escritor Machado de Assis colocando Bento um personagem de seu romance famoso.
Na sua infância ele conhece Ana por quem se apaixona, mas infeslimente esse romance é interrompido, pois ele tem que se mudar para poder estudar fora.

Cena 2:
Bento e Ana se despedindo, um ar de tristeza rodeando os dois.
Bento vai embora e Ana permanece triste e com cara de choro.

Na faculdade Bento conhece Miguel e tornam-se grandes amigos.
Miguel desiste de ser engenheiro e passa a ser produtor no Rio de Janeiro.
Miguel marca encontro com Bento em sua produtora,nesta ocasião estava acontecendo um teste e lá ele reencontra Ana,que era um das candidatas (concorrentes).
Cena 3
Miguel reencontra Ana,eles conversam,relembram histórias passadas e trocam telefones e endereços.
Esse antigo amor que há tempos esquecidos volta com força total
.

Miguel volta para São Paulo disposto a terminar com Heloísa, para poder viver seu amor com Ana.
Lá eles têm uma briga terrível, Heloísa fica ressentida e magoada.
A partir daí Bento quer viver sua vida ao lado de Ana e resolve voltar á São Paulo.

Cena 4
Bento chega ao Rio de Janeiro e resolve fazer uma visita e surpresa para Ana.
Aproximam-se mais e mais e decidem ficar juntos.
Bento a pede e casamento e ela aceita, passando assim á conviver juntos.


Depois de algum tempo de casados, ela o presenteia estando grávida, mas ele passa a sentir ciúmes de seu amigo Miguel.
Após brigas e brigas, ele cada vez mais certo que estava sendo traído e desconfia que o filho não seja dele.
Em uma dessas brigas Ana não agüenta mais as acusações e sai de carro com seu filho.

Cena 5
Ana em alta velocidade chorando acaba perdendo o controle do carro, sofre um acidente e morre, mas seu filho sobrevive.

Com a morte da sua esposa Dom resolve criara criança, mesmo sem saber se é o pai ou não.

Cena 6
Bento e seu filho brincando felizes.




quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O Cortiço- 2º ano A matutino



Personagens
:
Bertoleza
João Romão

Miranda

Botelho
Henrique
Estela

Leocádia
Jerônimo
Piedade
Rita Baiana
Marido de
Leocádia
Firmo
Filho do dono de Bertoleza
Cena 1
João Romão esta trabalhando em um bar atendendo 2 clientes. Logo em seguida ele sai e vai almoçar na casa de sua vizinha (Bertoleza). João está sentado na mesa e Bertoleza se aproxima com um dinheiro na mão.
Bertoleza: Por favor senhor João , guarde minhas economias pois já fui assaltada uma vez.
João pega o dinheiro.
(uma voz fala: Com o dinheiro de Bertoleza João comprou umas terras a esquerda da venda.)
Cena 2
Cenário: frente da venda.
João chega com um papel na mão e entrega à Bertoleza.
João: Você agora não tem mais senhor, está livre!
Bertoleza comemora.
Cena 3
(uma voz fala: sem domingo nem dia Santo, João comprou boa parte da pedreira e pôs lá seis homens a quebrar pedra e seis a fazer paralelepípedos e arrematou em leilão todo o espaço entre ela e suas casinhas, onde logo começaria a construir o cortiço.)
Enquanto isso vão passando algumas imagens.
Cena 4:
Miranda e a família chegam à cidade.
(uma voz fala: Acaba de se mudar para o Casarão que fica ao lado do cortiço, um comerciante português e sua família. A casa era boa mais faltava um quintal, então ele procurou o vizinho para que ele vendesse 10 braças do terreno.)
João: O senhor perde o seu tempo e o seu latim! Não vendo uma polegada e ainda lhe compro o espaço do fundo, se quiser me vender!
Miranda: Você é um teimoso! Pois não lhe deixarei erguer muro que tape as minhas janelas! Vai se arrepender de não me vender o terreno! Passe bem! (Miranda se retira)
Cena 5
Cenário: a venda de João aumentou tornado-se um bazar. Miranda está na porta da casa olhando o cortiço.
Miranda: (pensamento) O miserável nunca vestiu um paletó mas não precisa aguentar nenhumazinha por causa do dote! Nem roer nenhum chifre! Fui uma besta!
Miranda entra em casa e junta-se à família que esta sentada na mesa para almoçar, logo depois ele sai com Botelho, os dois estão parados na calçada conversando.
Miranda: Sei que a minha esposa não vale nada, mas pouco me importo! Sirvo-me dela como de uma escarradeira.
Botelho: Faz bem, ela representa seu capital, e capital a gente nunca despreza!
Logo depois Estela sai acompanhada com Henrique, Botelho desconfia e os segue. Estela esta beijando Henrique e Botelho vê.
Botelho: Isso é uma imprudência, com tantos quartos na casa! Assim como fui eu, podia ser outra pessoa...
Estela: Nos não estávamos fazendo nada!
Botelho: Ah! Não!? Então desculpe... mas se estivessem para mim era o mesmo, pois é a coisa mais natural do mundo! Da vida só se leva o que se come e...
Henrique: (interrompendo Botelho) Acredita seu Botelho, a gente...
Estela: (interrompendo Henrique) Basta!!!
Estela se retira
Henrique: Você jura que não fala a ninguém?
Botelho: Bobagem rapaz... Pra uma mulher que já passou dos trinta um rapazinho de sua idade é ouro em pó! E você ainda faz um favor ao marido, enquanto a escova ela melhora o gênio! Só não faça besteiras como a de hoje, nem se meta com a Zulmira! Falo porque sou seu amigo, acho-o simpático e... Bonito!
Henrique sai correndo
Cena 6
Rita retorna ao cortiço e é recebida com alvoroço. Leocádia vai logo receber a amiga.
Rita: Ô Leocadinha, quem são aqueles Jururus no 35 ?
Leocádia: É Jerônimo e a Piedade, chegaram depois q você arribou. Boa gente!
Começa então uma festa para comemorar a chegada de Rita baiana, que deixa o vizinho furioso.
Miranda furioso sai e começa a berrar.
Miranda: Vão gritar pra o inferno, com um milhão de raios! Ou vou chamar a policia!
Rita: (grita) O domingo fez-se pra se gozar.
A algazarra continua, Rita começa a dançar e Jerônimo resolve se juntar a festa.
Cena 7
João esta sentado no bazar lendo o Jornal em voz alta.
João: "... Miranda, atacadista de fazendas desta praça e residente no bairro de botafogo, foi agraciado pelo governo português com título de barão do freixal..." ( ele da um murro na mesa) Raios! Barão, pois sim!
Durante o dia João acompanha a comemoração do vizinho (passa uma cena de João olhando a comemoração do vizinho de longe)
Cena 8
Casa de Léonie ex moradora do cortiço esta recebendo Isabel e sua filha Pombinha. Isabel esta tomando champanhe e fica bêbada então Léonie pede que a levem pra um quarto enquanto isso ela alicia Pombinha que esta sozinha com ela na sala.
Léonie: E agora nós duas podemos ficar à vontade, minha flor! Sabes que sou louca por ti?
Léonie leva Pombinha para um quarto e fecha a porta a câmera fica fora do quarto mostrando só a porta fechada.
Cena 9
Amanhece e Piedade sai de casa e vê Rita com uma trouxa na mão anda em direção a ela.
Piedade: Esta de mudança, vizinha?
Rita: E que tem você com isso? Meta-se lá com sua vida! Ora essa!
Piedade: Com minha vida é que te meteste tu, Cigana! Pensas que não sei quem me maleficiaste o homem e agora carregas com ele? Que a má coisa te saiba, cabra do inferno!
Rita: Hein? Repete, cutruca ordinária!
Rita pega uma pedrinha no chão e atira contra Piedade, Piedade tira o chinelo e segura com as mãos.
Piedade: Hás de amargar o que o diabo não quis!...
Piedade caminha em direção a Rita e a acerta com o chinelo no rosto. As duas começam uma briga.
Rita: Perua choca!
Piedade: cabra biraia
De repente um barulho, Rita deu um murro nas costas de Piedade que cai no chão.
Rita: toma pro teu tabaco, galinha podre! Toma pra não te meteres comigo, baiacu de praia!
Cena 10
Chega alguns homens na casa de João o mesmo os recebe.
Um dos homens diz: A Bertoleza está ai? Ela é a escrava fugida do meu pai.
João: Está aqui sim! Pensava que ela fosse livre!...
O rapaz: É minha escrava! Quer entregar-ma?
João: Imediatamente! Deve estar la dentro... Tenha a bondade de entrar...
João pede que os homens o acompanhe e eles o seguem ele os leva a cozinha onde esta Bertoleza cozinhando que logo percebe do que se trata ao ouvir a voz do filho de seu senhor.
Rapaz: Aquela é minha escrava! Prendam-na!
Em um ato de desespero Bertoleza pega uma faca e se mata, caindo no chão.


FIM!



O crime da padre Amaro

Roteiro
A historia que iremos abordar trata-se de uma denúncia a hipocrisia social e religiosa da época, onde o autor Eça de Queiroz coloca como contexto o amor de um padre por uma linda jovem da cidade de Liría sendo que, ao se apaixonarem e manterem um relacionamento escondido a jovem Amélia fica grávida, causando desespero ao padre Amaro, que imediatamente lhe recomenda ter a criança num lugar longe da cidade.
A nossa proposta para o vídeo é focalizar os fatos principais contidos na hístoria, trazendo-os para os dias atuais. O vídeo será dividido em 19 cenas , utilizando os seguintes intrumentos para a produção do mesmo: câmera, figurino e cenário.
Iremos proporcionar uma maneira mais divertida de compreender as cenas retratadas.
Personagens e suas caracteristicas
Principais:
Padre Amaro- Orfão ainda na infãncia, vai para o seminário por desejo de sua protetora, a marquesa de Alegros. Manifesta regiolisidade, mas tambem tem fortes desejos sexuais. Mesmo assim, ordena-se sacrdote. Acaba seduzindo Amélia. É ciumento e possessivo com a moça. Dessa forma, o crime que dá título ao livro pode ser tanto a responsabilidade pelo assassinato do própro filho quanto à quebra do voto de celibato clerical.
Amélia- Afilhada da senhora Joaneira, é um moça facilmente influenciável. Após uma decepção amorosa na adolescência, busca consolo na fé católica, tornando-se uma beata excessivamente confiante nos padres. Assim como Amaro , não consegue controlar os instintos sexuais e se deixa seduzir em sua casa.Aos poucos passa a ter crises de consciência, que se manifestam em ataques de histeria. É fraca e , por mais que resista , não consegue livrar-se da influência de Amaro . Morre de hemorragia, loga após o parto.
Antagonista:
Joâo Eduardo- Noivo de Amélia espera apenas uma promoção para poder se casar. Percebendo a atração que Amaro exerce sobre sua noiva, escreve um artigo anônimo denunciando a corrupção do clero de Leira, mas é descoberto e sofre severas represálias dos padres, inclusive de Amaro, a quem agride com um soco.
Secundarios:
Cônego Dias- Era mestre moral de Amaro no seminário, e mantinha um relacionamento escondido com a madrinha de Amélia.
Senhora Joaneira- Viúva e madrinha de Amélia. Apesar de beata, mantém relações sexuais com o cônego Dias, tanto que por necessidade financeira como por desejo carnal.
Carlota-É a "tecedeira de anjos"para quem Amaro leva o filho. A criança morre na primeira noite que passa em companhia dela.
Totó- Paralítica usada como pretexto para os encontros entre Amaro e Amélia.
As senhoras Gansosos- Duas irmãs chamadas Joaquina e Ana. Joaquina era a mais velha, muito magra, de olhos muito vivos. A senhora Ana era muito surda e nunca falava.
2° ano A Matutino